Pluralidade dos Mundos Habitados
A questão 55
55. São habitados todos os globos que se movem no espaço?
“Sim e o homem terreno está longe de ser, como supõe, o primeiro em inteligência, em bondade e em perfeição. Entretanto, há homens que se têm por espíritos muito fortes e que imaginam pertencer a este pequenino globo o privilégio de conter seres racionais. Orgulho e vaidade! Julgam que só para eles criou Deus o Universo.”
Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência. Acreditar que só os haja no planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil.
Certo, a esses mundos há de ele ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Aliás, nada há, nem na posição nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes.
Reflexão de Emmanuel
Comentário lido em reunião pública de 6 de novembro de 1959, quando a corrida espacial começava.
Enquanto o homem se encaminha para a Lua, estudando-a de perto, comove-nos pensar que a Doutrina Espírita se referia à pluralidade dos mundos habitados, precisamente há mais de um século.
Acresce notar, ainda, que os veneráveis orientadores da Nova Revelação, guiando o pensamento de Allan Kardec, fizeram-no escrever a sábia declaração:
“Deus povoou de seres vivos todos os mundos, concorrendo esses seres ao objetivo final da Providência.”
Sabemos hoje que moramos na Via-Láctea — a galáxia comparável a imensa cidade nos domínios universais. Essa cidade possui mais de duzentos milhões de sóis,1 transportando consigo planetas, asteróides, cometas, meteoros, aluviões de poeira e toda uma infinidade de turbilhões energéticos.
Entre esses sóis está o nosso, modestíssimo foco de luz, considerando-se que Sírius, um de seus vizinhos, apresenta brilho quarenta vezes maior. E, acompanhando-o, a nossa Terra, com todo o cortejo de suas orgulhosas nações, tem a importância de uma “casa nos fundos”, visto que, se a Lua é satélite nosso, o Globo que nos asila é satélite pequenino desse mesmo Sol que nos sustenta.
Viajando a luz com a velocidade de trezentos mil quilômetros por segundo, gasta milhares de anos para atravessar, de um ponto a outro, o continente galáctico em que residimos.
Mas os espelhos telescópicos do homem já conseguem assinalar a existência de milhões e milhões de outras galáxias, mais ou menos semelhantes à nossa, a se espraiarem na vastidão do Universo.
Até agora, neste breve lembrete, nos reportamos simplesmente ao campo físico observável pelos homens encarnados, atreitos, como é natural, ao raio reduzido da percepção que lhes é própria, sem nos referirmos às esferas espirituais mais complexas que rodeiam cada planeta, quanto cada sistema.
Nesse critério, vamos facilmente encontrar, em todos os círculos cósmicos, os seres vivos da asserção de Kardec, embora a instrumentação do homem não os divise a todos. Eles se desenvolvem através de inimagináveis graus evolutivos, cabendo-nos reconhecer que, em aludindo à pluralidade dos mundos habitados, não se deverá olvidar a gama infinita das vibrações e os estados múltiplos da matéria.
Temos, assim, no Espaço Incomensurável, mundos-berços e mundos-experiências, mundos-universidades e mundos-templos, mundos-oficinas e mundos-reformatórios, mundos-hospitais e mundos-prisões.
Saudamos, pois, o advento da nova era, em que o homem físico, valendo-se principalmente do rádio e do radar, do foguete e do cérebro eletrônico, pode incursionar além da Lua, auscultando, em regime de limitação, as faixas de matéria em que psiquicamente se entrosa.
E desejando-lhe paz, a fim de que prossiga em suas arrojadas e preciosas perquirições, podemos assegurar que em todos os planos a consciência acordada à luz da razão e da responsabilidade surpreenderá sempre, por base de todo aperfeiçoamento moral, o preceito do Cristo que coloca “o amor a Deus e ao próximo” como sendo o coração da vida, pulsando, invariável, no peito da Justiça Divina que manda, em toda parte, conferir a cada um segundo as próprias obras.
Sobre a mesma vertigem de escala, por outra porta: em Sabe com quem você está falando?, Mario Sergio Cortella percorre com humor o tamanho do cosmos (bilhões de galáxias, bilhões de estrelas em cada uma, o Sol como astro modesto) para chegar ao ponto de que a arrogância humana não sobrevive a essa aritmética. Ele não faz afirmação teológica alguma ali, e a conclusão dele não é a de Emmanuel; mas o espanto diante da escala é o mesmo, e vale ouvir ao lado deste texto.
Trecho publicado originalmente em 2012, no blog anterior. Grifos meus. A nota sobre a palestra e a nota de rodapé foram acrescentadas em julho de 2026; a nota de rodapé é minha, não do original.
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Nota minha, não do original: as estimativas atuais situam o número de estrelas da Via-Láctea entre cem e quatrocentos bilhões, algo entre quinhentas e duas mil vezes a cifra de duzentos milhões que aparece aqui. O argumento do trecho, que é a modéstia da nossa posição no cosmos, não depende desse número, e um valor maior o reforçaria. ↩