Uma sala de fazenda em Pedro Leopoldo, um caderno, três ou quatro pessoas. Foi assim que chegaram alguns dos livros mais lidos da literatura espírita.

Estrada de terra levando aos galpões de telha da Fazenda Modelo, com silo ao fundo, em Pedro Leopoldo.

A chegada à Fazenda Modelo, em Pedro Leopoldo (MG). Fotografia minha, de 2017.

O Culto do Evangelho no Lar da família Joviano

Neio Lúcio é o autor espiritual de Jesus no Lar, Alvorada Cristã e Mensagem do Pequeno Morto. Em vida romana chamou-se Cneio Lucius, o venerando avô de Célia em Cinquenta Anos Depois. Mais tarde, encarnou como Artur Joviano.

Já desencarnado, era frequentador assíduo das reuniões do Culto do Evangelho no Lar da família Joviano, na Fazenda Modelo, em Pedro Leopoldo, comunicando-se pela mediunidade de Chico Xavier.

Quem estava na sala

O detalhe que dá vertigem é a composição do grupo. Quem lê as obras encontra ali, encarnados, os personagens que conheceu nos livros:

Presente na reunião Vínculo Aparece nos romances como
Rômulo Joviano filho de Neio Lúcio Helvídio Lucius, de Cinquenta Anos Depois
Cirilo Davenport, de Renúncia
Maria Joviano nora de Neio Lúcio Alba Lucínia
Madalena Vilamil
Chico Xavier médium  

Um pai desencarnado conversando com o filho encarnado, à mesa da própria casa, sobre uma história que os dois viveram juntos quinze séculos antes.

Os cadernos de Wanda

Os diálogos trocados nessas reuniões foram reunidos por Wanda Joviano, neta de Artur Joviano, e organizados em três volumes:

  • Sementeira de Luz
  • Sementeira de Paz
  • Colheita do Bem

É de um desses diálogos, na reunião de 3 de agosto de 1949, que vem o relato sobre o amparo de Paulo de Tarso a Emmanuel, assunto de Paulo, o mentor de Emmanuel.

Por que Chico beijava o chão

Foi também na Fazenda Modelo que se recebeu Paulo e Estêvão.

Muita gente não entendia por que Chico Xavier beijava o chão daquela casa depois de psicografar a obra. A razão só aparece quando se sabe quem esteve ali. Durante os meses em que o livro foi sendo recebido, os personagens que ele retrata estiveram espiritualmente naquela fazenda, na humilde cidade de Pedro Leopoldo: Paulo de Tarso, Estêvão, Pedro, Barnabé e tantos outros.

O gesto deixa de ser exagero de devoto e passa a ser a coisa mais razoável do mundo. Ele não estava beijando um assoalho. Estava se despedindo de uma sala que tinha sido, por alguns meses, um lugar de passagem.

Publicado originalmente em 25 de março de 2018, no blog anterior.